quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Japonês

Não vim falar da língua japonesa da qual decorei três frases e me considero fluente. Se bem que esse assunto de lingüística está em alta por aqui. Nossa companheira de quarto - espanhola de Madrid – é professora de literatura na Espanha e na Bélgica. Fala quatro línguas, incluindo holandês e alemão.

Eu gostaria era de tentar falar sobre a impressão que temos dos japas que ficam no Havaí. E isso é bem difícil e até um pouco preconceituoso. Quase nenhum deles fala inglês e nem se quer se esforçam. Tudo que conseguimos escutar deles é “Sunk you” na tentativa de dizer “Thank you”. O que nos resta é julgá-los sem escutá-los.

As mulheres são aparentemente as que mais sofrem a pressão pela ocidentalização. Todas usam cílios postiços, unhas postiças com sparkles e cabelos pintados e alisados na cor caju claro.  As roupas são caríssimas e de marcas famosas. E por fim, quando você acaba de analisá-las da cabeça aos pés, é no pé que você percebe um pedaço de madeira que a ergue uns 15 cm do chão. Salto alto é obrigatório, elas são muito baixinhas. Eu atribuo tudo isso à influência do padrão de beleza ocidental que vigora no momento. As japonesas mais velhas surpreendem-me pela capacidade de se vestirem de forma simples e brega. Fica a dúvida se é devido à idade ou ao tradicionalismo. Fico com o aspecto mais cultural. Se me acordo bem dos filmes, gueixas eram bregas também.

Japonês tem cara redonda e olho puxado. Quando você para pra perceber, nota que chinês é chinês e japonês é japonês. É absolutamente distinto. São dois mundos diferentes e paralelos. Todo chinês sabe falar inglês e tem um vestuário dentro do que consideramos mais normal possível: bermuda, calça jeans e camisa. O nipônico sempre tem celular de última geração - quando jovem – e quase nunca utiliza só uma camisa. É sempre um conjunto, uma camisa desabotoada e outra por baixo. Nunca vi um sujeito que viva no Japão ser gordo, assim como quem paga a conta é sempre o homem e sem discussão, a não ser que só haja mulheres na mesa.

As crianças são as coisas mais fofas do mundo. É compensação divina porque logo que começam a crescer vão se tornando cada vez mais feios. As criancinhas lindinhas, lindinhas devem ser uma adaptação evolutiva. Assim eles conseguem iludir as meninas a terem filhos. E o mais impressionante de tudo, elas não choram. Pode esquecer aquela cena em que o pai tenta convencer o menino a parar de berrar sem sucesso. Não sei o que os pais fazem, mas os filhos não choram. Eu imagino que antes de sair de casa o pai coloque o menino no quarto, dê uma coça no garoto e diga: “Chora tudo o que você tem direito e dê paz a sua mãe!”. Depois a Mãe só dependura o filhote nas costas e sai, num sossego só. Sensacional! Meu Joãozinho que me espere!

Outra coisa que japonês não faz é dar tips. Pode esquecer, meu amigo. É mais fácil ver um menino de cabelo escuro lisinho, olhinhos puxadinhos fazendo pirraça dentro de um restaurante que receber um penny ou yenny de gorjeta.

Yan Andrade  - 1/11/11

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